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Bruxaria e Paganismo na Islândia Medieval

Uma das características da história mental e intelectual do século XII é a intrusão na documentação do maravilhoso e do lendário, o que Jacques Le Goff chamou de "a grande onda folclórica dos séculos XII e XIII". Os historiadores da mentalidade então rotularam isso como paganismo camponês e "pensamento selvagem". Sempre sobreviveu no campo medieval, apesar das conversões ao cristianismo, vestígios de práticas e crenças qualificadas como pagãs.

paganismo camponês

No mundo cristianizado da Islândia medieval, as práticas de feitiçaria correspondem a vestígios de práticas antigas e pré-cristãs. Os autores denunciam essas práticas como superstição e paganismo, juntando-se à interpretação que o Ocidente medieval tinha da feitiçaria. As histórias locais de conversão mostram, assim, a superioridade do cristianismo sobre o paganismo. É interessante notar que esses clérigos são, como seus pares ocidentais, abalados por debates doutrinários sobre o bem e o mal e pela polêmica em torno da heresia.

Através de seus escritos, eles desenvolveram uma imagem do diabo, do mal absoluto. Cada sociedade operou sua tradução do ser maligno. dependendo do país e da época, não encontramos os mesmos pressupostos ou as mesmas superstições para pensar o mal. Para os clérigos islandeses, a imagem do mal reside nas crenças pagãs, que se opõem aos deuses do cristianismo. O martelo de Porr era visto como a antítese da cruz de Cristo. Em tal visão dualista, nossos escritores medievais tentam simplificar sua descrição das práticas religiosas pré-cristãs, categorizando-as em uma única e mesma religião ou fé, chamada "paganismo".

Um resquício de xamanismo

Alguns estudiosos usam a falta de êxtase nos textos para estabelecer uma correlação entre a feitiçaria ocidental e a feitiçaria nórdica, rejeitando assim a interpretação xamanizante dessa feitiçaria. Com efeito, se tomarmos o exemplo de Porbjorg citado acima, notamos que não há a priori nenhuma manifestação explícita de êxtase (mesmo que possa ocorrer quando a volva fala com os espíritos). Este ponto de vista interpreta a prática da feitiçaria nórdica com aquela combatida pela inquisição na Europa ao mesmo tempo, ou seja, como ligada ao diabo. O exame dos testemunhos revela que a noção de mal está ausente e que o aspecto demoníaco da feitiçaria em nada corresponde às crenças nórdicas. Então, de onde vem essa falta de dualismo entre o bem e o mal na bruxaria islandesa? Outros estudiosos relacionam a bruxaria com as práticas dos Sami. Diz-se que o seidr dos feiticeiros islandeses é semelhante às práticas dos xamãs Saami. Ao usar sua arte na sociedade, eles desfrutam de um status especial como poetas. A ausência de noção do bem e do mal nessa feitiçaria pode ser compreendida com a figura do Malandro das crenças xamânicas. Nas crenças nativas americanas e circumpolares, o Malandro é definido como um ser que não conhece nem o bem nem o mal, mas que, no entanto, é responsável por isso. Ele não tem valor moral ou social, está à mercê de seus impulsos e de seus apetites, mas é por meio dessas ações que tudo acontece.

Como o Malandro da mitologia, os magos islandeses representam uma força calorosa e destrutiva, às vezes maligna, mas sempre essencial para a continuidade da vida. Mais do que a noção de bem e mal, ausente da mitologia nórdica, o conceito que se deve reter para compreender este “paganismo” é antes o de “necessidade”: tudo assenta num equilíbrio de forças, como nos gigantes e nos deuses.


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